Licenças 3G mundo afora : alguns exemplos
3G no Reino Unido : UKP 22,5 bilhões obtidos no leilão em Abril de 2000
O Reino Unido foi a primeira oportunidade mundial de leilão de
concessão do espectro (conjunto de frequências)
eletromagnético para uso de rede 3G (terceira
geração de celulares) . Foi um recorde histórico,
por várias razões na época (em Abril de 2000),
obtendo UKP 22,5 bilhões (hoje, R$81,92 bilhões) ao
alocar 5 licenças de rede para operadoras de celular,
equivalente a UKP 380 (R$1.384) por cidadão do Reino Unido, ou a
UKP 560 (R$2.039) por linha de celular em uso no Reino Unido na
época (ref. [1-2]). Tais licenças 3G são para um período de 20 anos.
Pagamento das licenças 3G no Reino Unido. Retirado da pág. 36 da ref [1].
3G na Alemanha : EUR 50,5 bilhões obtidos no leilão em Agosto de 2000
Pouco depois, a Alemanha (ref. [3]) seguiu caminho
semelhante e obteve em Agosto de 2000 um valor maior ainda, EUR 50,5
bilhões (hoje, R$131,6 bilhões) ao leiloar as
llicenças 3G, equivalente a EUR 610 (hoje, R$1.589) por
cidadão da Alemanha na época.
3G na Itália : EUR 12,2 bilhões obtidos no leilão em Outubro de 2000
Na Itália,
o efeito queda da bolha especulativa da Internet e outros fatores
fizeram efeito e foi arrecadado "somente" EUR 12,2
bilhões (hoje, R$31,8 bilhões) com licenças 3G
para cinco operadoras, mesmo tendo a Itália 17,7 milhões
de linhas de celulares contra 13 milhões de linhas de celulares
do Reino Unido, em 2000, ambos países com PIB per capita
semelhante (US$21-22 mil). Calculando a arrecadação per
capita do leilão, de duas formas :
- a arrecação do
leilão per capita seria (EUR 12,2 bi / 58,1 millhões de
italianos) = EUR 210 (hoje, R$ 547).
- a
arrecadação do leilão por renda da base de usuários foi de (EUR 12,2
bilhões / (80 milhões de usuários de celular x EUR 21 mil de renda per
capita)) = 0,73%.
3G nos EUA : US$ 13,9 bilhões obtidos no leilão em Setembro de 2006
Após longo
atraso em relação aos países europeus, no final de
2006 foi feita a primeira parte do leilão de licenças 3G
nos EUA, totalizando US$ 13,9 bilhões. Embora a base de
usuários de celulares nos EUA seja grande, bem como a renda per
capita idem, só bem recentemente os cidadãos dos EUA tem
usado celulares modernos como os europeus e asiáticos o que
diminui em pouco o mercado potencial de uso de 3G a curto e
médio prazo (a altíssima renda per capita dos EUA
não reflete no padrão de aquisição de
celulares e serviços sofisticados). Logo estatisticamente
não é tão válido calcular as
relações abaixo :
- a arrecação do
leilão per capita seria (US$ 13,9 bi / 301 millhões de
habitantes dos EUA) = US$46,2 (hoje, R$83,0).
- a
arrecadação do leilão por renda da base de usuários foi de (US$ 13,9
bilhões / (243 milhões de usuários de celular x US$43,7 mil de renda per
capita)) = 0,13%.
3G na Argentina : aprox. R$ 6 bilhões obtidos no leilão em 2006
A Argentina tinha
em 10/2007 aprox. 38,8 milhões de celulares, com renda per
capita de aprox. US$ 5,5 mil não-PPP (hoje R$9,9 mil). Com
várias características próximas as do Brasil em
termos de renda per capita, tomemos esse exemplo recente como base de
comparação :
- a arrecação do leilão per capita seria (R$ 6 bi / 40,3 millhões de argentinos) = R$154.
- a arrecadação do
leilão por renda da base de usuários foi de (R$ 6
bilhões / (38,8 milhões de usuários de celular x
R$9,9 mil de renda per capita)) = 1,56%.
3G em vários países (até 2002)
A tabela da ref. [5]
(onde usa o dólar da época, bem mais valorizado que hoje,
1 US$ era aprox. igual a EUR 1,1-1,2, ou seja, os valores em US$ devem
ser multiplicados por aprox. um fator de 1,5 vezes) lista a
arrecadação de licenças 3G per capita (em
relação à população de cada
país).
Leilão 3G no Brasil : 18/12/2007 por R$2,8 bilhões (preço mínimo)
A própria
Anatel afirma que tal leilão tem preço mínimo que
é a metade do que foi arrecadado na Argentina, que tem uma base
de usuários bem menor que a do Brasil. Para compararmos
relativamente o quanto menor é esse valor temos que considerar a
base de usuários de celulares no Brasil e a renda per capita
brasileira. Para 11/2007, a base instalada de celulares no Brasil foi
estimada em 116,3 milhões, com renda per capita de aprox.
R$ 12,4 mil.
Caso seja obtido o preço mínimo de R$2,8 bi, teremos :
- arrecação do leilão per capita de (R$ 2,8 bi
/ 190 millhões de brasileiros) = R$14,7 (9,6% do valor
argentino, 18% do valor dos EUA, 2,7% do valor italiano).
- a arrecadação do leilão por renda da base de
usuários foi de (R$ 2,8 bilhões / (116,3 milhões x
R$12,4 mil)) = 0,19% (12% do valor argentino, 1,5x o valor dos EUA e
26% do caso italiano).
Face aos valores
mundias acima citados (principalmente os mais recentes, Argentina e
EUA), é da opinião do autor que o valor do leilão
deveria ter como base algo como 5-10 vezes o valor mínimo atual,
ou seja,
o leilão seria fechado com arrecadação da ordem de R$14-28 bilhões. Para garantir isso,
o valor mínimo do leilão deveria ser aumentado para 2,5-5 vezes, i.e., R$ 7-14 bilhões.
Tais valores podem parecer altos em primeira
análise, mas são para serem divididos por ao menos 4
operadoras que terão anos para lucrar com
milhões de brasileiros usando serviços 3G :
- banda
larga móvel, cada vez mais substituindo banda larga fixa. Por exemplo vide estatísticas sobre o Brasil na ref. [6]
onde vemos que os usuários de banda larga no 3o trimestre de
2007 eram 7 milhões (dentre os aprox. 32 milhões de
usuários de Internet no Brasil), com crescimento de mais de 1
milhão de usuários por ano. Parte desses usuários
usará banda larga móvel. Como hipótese, peguemos
um plano médio de R$75 mensais (ilimitado ou de alguns
GB/mês), daria receita de R$900 ano por usuário, se
tivermos 3 milhões de usuários então serão
R$2,7 bi/ano. Ou seja, em um ano já se teria uma receita
equivalente ao valor mínimo do leilão 3G;
- ao longo dos anos, a base de usuários 3G será bem
maior, não somente usando banda larga móvel porém
cada vez mais boa parte dos 116,3 milhões de celulares (dados de 11/2007, ref [6])
usariam recursos de : chamada de voz-vídeo, streaming de
vídeos (até TV móvel) e música, jogos
on-line, etc. As operadoras mundiais que utilizam 3G têm aprox. 20-30% do faturamento na área 3G, o que traduzido para a receita operacional líquida do mercado brasileiro de telefonia móvel (R$34 bilhões em 2005)
significaria algo da ordem de R$10 bilhões por ano. Se
consideramos isso (e valores ainda maiores) por 15 anos, teremos
algumas centenas de bilhões de reais de receita operacional
líquida devido ao uso da tecnologia 3G no Brasil. Logo algo como
R$14-28 bilhões do leilão seriam facilmente
amortizados pelas operadoras face ao grande potencial de negócio
que se abre com os serviços 3G.