Minha experiência na Incursex 2006

    Esse é meu relato pessoal (Roberto Colistete Jr.) durante a operação Incursex 2006 dos Fuzileiros Navais (FN) da Marinha Brasileira (MB), que eu acompanhei entre 25/07 (3a-feira) e 28/07 (6a-feira). Atuei como colaborador da ALIDE pela 1a vez, e agradeço em muito o Felipe Salles e Luíz Padilha pelo convite e boa-vontade. A matéria da ALIDE foi publicada em 07/09/2006, e contém 262 fotos e 5 filmes, não perca ! 
     Tudo foi na correria, 3a-feira no meio da manhã eu recebi o convite por telefone, arrumei a mochila com poucas coisas (peças de roupas, 4 pares de pilhas para a Canon A530, etc), fui à UFES resolver problemas pendentes de lab. de computação e pesquisa (era período de férias na UFES), e fui direto à rodoviária. Infelizmente perdi o ônibus das 16h20 direto para Marataízes, pegando então o "parador" de 17h.

A Chegada no Acampamento

    A chegada foi à noite, umas 20h30 na estrada para Marataízes, em Itaoca. O motorista do ônibus sabia onde que era o acampamento dos FN, que agora é em um grande terreno comprado pela MB há poucos anos atrás, especialmente para exercícios dos FN. Após uma breve identificação na entrada do acampamento, encontrei com o comandante Josias e em seguida com o Felipe Salles e Luíz Padilha, esse último pela 1a vez. O tempo estava fresco com vento forte, bem diferente do calor de Vitória.

    Passamos a noite conversando, boa parte com o comandante Renato, que é piloto de helicóptero Super Puma. Muita conversa em pé ou no refeitório com direito a lanche e TV.  Mesmo inicialmente, eu fiquei impressionado com a cordialidade e hospitabilidade dos militares dos FN, com boa vontade para conversar sobre os mais diversos assuntos ligados aos militares. Nós três da ALIDE ao mesmo tempo dávamos nossas opiniões e buscávamos saber a opinião, relatos, fatos que só podemos saber diretamente de um militar. A expectativa dos militares comandantes era de que o ataque fosse completado somente na 5a-feira, portanto mais de um dia de exercício. Lembrar que parte das tropas já estavam na região desde domingo ou 2a-feira, para preparar o acampamento, etc. As tropas foram chegando parte via terrestre, em "jeeps" e ônibus alugados, e parte no navio de desembarque.

Barraca onde dormimos    Depois fomos para uma barraca para dormir, junto com mais 4 oficiais, e nos apresentamos rapidamente, com o Felipe e Padilha puxando conversa logo em seguida. Ao todo eram 8 camas dobráveis de lona, sendo que uma ficou vazia. Já estava um frio razoável, eram 23h e alguma coisa, peguei minhas coisas e fui tomar banho, algo que quase todos evitaram nessa noite dado o frio :-) Havia 3 grandes banheiros, um dos praças e dois dos oficiais, que o pessoal da ALIDE podia usar. Tomei banho tranquilamente, esnobando o chuveiro elétrico e usando somente água fria. Voltando à barraca, a maioria já estava dormindo, visto que as atividades do exercício começariam bem cedo na 4a-feira, nós da ALIDE tínhamos que acordar às 5h da manhã, por exemplo. Pouco antes de dormir é que fiquei sabendo que uns 3 oficiais eram comandos (à la Rambo), i.e., da área de operações especiais dos FN ! Digamos que eles seriam os últimos com quem eu compraria briga, eheheh ! Porém nada de estereótipos, eles foram super-simpáticos, zoadores, não tinham físico de lutador de boxe mas estavam em forma, etc. Mas os superei em algo : suportar o frio com camisa simples e tomar banho frio naquela noite, muito fria para os padrões capixabas !

    Bem, o pessoal da ALIDE foi dormir depois da meia-noite para acordar às 5h, pois tínhamos que cobrir o desembarque dos FN na praia de Itaoca, que seria antes das 6h ! Comi um dois dois torrones que eu trouxe, ninguém quis logo foi obrigado a comê-lo sozinho ;-) A cama de lona não foi tão desconfortável como eu pensei, deu para dormir sem problemas. Ainda bem que tinha bastante cobertas, pois de madrugada foi um frio danado (uns 10 C !), com vento entrando pela barraca. Felizmente o Felipe e o Padilha ficaram nas camas perto da saída da barraca, com isso bloqueando boa parte do vento com seus físicos avantajados ;-) à la Obelix ! Infelizmente o Felipe deu o troco, roncando tanto que acordava todo mundo de vez em quando de madrugada...

O Desembarque e o 1o (Longo) Dia de Operações Terrestres

    Acordei na 4a-feira às 4h45 para me arrumar, e Felipe e eu fomos para a barraca do GruCon (Grupo de Controle, que fiscaliza e coordena imparcialmente o exércicio). O pessoal e material do GruCon tem faixas amarelas para distinguí-los das forças atacantes e de defesa.   Conversei com o Felipe qual seria a programação para hoje, i.e., o que cada um de nós da ALIDE iríamos fazer. Eu pensei, com minha simples Canon A530 (5 MPixels, 4x zoom óptico, 2 cartões de 512 MB) eu vou tentar cobrir fotos e filmes de forma complementar ao Padilha, tentando pegar o que ele não pegou, posições e ângulos diferentes, etc.
    Aproximadamente às 5h40 saímos do acampamento acompanhando os comandantes nos Land Rover Defender, que por sinal são bem confortáveis, nem parecendo um veículo da categoria do antigo Jeep. Eu comi um dos 2 pacotes de biscoitos (Goiabinha da Piraquê, o melhor biscoito para se comer em viagens !!!) que eu trouxe e ofereci para os demais no Defender. Os Defender nos deixaram na praia de Itaoca, e esperamos para ver as embarcações de desembarque se aproximarem, vindo do Navio de Desembarque-Doca (NDD) G-30 Ceará. Lá para 5h50, eis uma surpresa, estávamos a uns 300-400 m do real ponto de desembarque ! Não dava tempo de pegar os Defender, então foi correria na areia para tentar chegar antes das embarcações de desembarque. O Padilha ficou para trás mas podia remediar isso com o zoom elevado de seus equipamentos, e eu cheguei quase simultaneamente com as embarcações de desembarque tocando na praia, porém... na hora de tirar essas fotos a Canon A530 falhou, indicando pilha fraca !!! Arghhh, ora não tirava a foto, ora o flash não saía, naquela escuridão significava uma péssima foto, putz !
Barraca do GruCon com Felipe Salles à frente, 5h20. Eu em frente da barraca do GruCon, 5h30.
Land Rover Defenders se preparando para ir ao desembarque, 5h30. Praia de Itaoca antes do desembarque, com o G-30 Ceará ao fundo, 5h48.
CLANF no desembarque, 5h58. CLANF no desembarque, 5h59.
Fumaça sinalizadora do ponto de desembarque, 6h00 Tropa no CLANF, 6h12.
Operador de comunicações do CLANF, 6h20. CLANF parado, esperando ordens de prosseguir, 6h28
    Finda a correria, eu tive tempo de trocar as pilhas e consegui umas fotos razoáveis somente, pois estava meio escuro para fotos boas de longe. Os comandantes, Felipe e Padilha tinham então chegado, e ficamos observando as manobras dos CLANF. Vide maiores detalhes na matéria, seção "Acompanhando a Tropa no CLANF".
Tropa desembarcando do CLANF, 6h52. Tropa dispersa vigiando o local, 6h53.
CLANF estacionado embaixo de árvore para se camuflar. Fuzileiros vigiando o local contranstando com uma vaga sendo ordenhada
CLANF mostrando a sua altura de 3,3 m. M-113 A1 de transporte de tropas chega no local, 7h15.
O M-113 tem aprox. metade da capacidade do CLANF. M-113 e CLANF.
Land Rover Defenders do GruCon com faixas amarelas. CLANF sendo camuflado com rede, 7h20.
   O interessante de ser jornalista da ALIDE era que eu podia observar o capitão comandando o ataque terrestre (sem saber dos obstáculos que esperavam suas tropas) e o GRUCON comentando sobre os mesmos : campos minados, emboscadas, etc.
   Havia um único oficial estrangeiro acompanhando a Incursex como observador, era o Tenente-Coronel Marcos Grijalva da Infantaria Marinha do Equador. Era sua 1a vez no Brasil, e aparentemente estava gostando do exercício, sendo muito simpático. Ele confidenciou inclusive que ainda em 2006 voltaria ao Brasil com a família para fazer turismo, como convidado de um brasileiro.
    A grande importância de exercícios militares como a Incursex é permitir observar falhas diversas nas operações, criticá-las e tentar corrigí-las futuramente. A Incursex não foi livre de falhas no ataque, tendo avanço precipitado de tropas e veículos que logo depois recuavam, hesitações em certas movimentações, etc. Tudo isso foi observado de perto pelo GRUCON na pessoa do comandante Roberto, com o qual conversei bastante.   
2 M-113 avançando, 7h21. Único oficial estrangeiro como observador externo, um equatoriano.
Tropas adicionais chegando, 8h00. Comandante Roberto do GRUCON observando o avanço das tropas.
Tropas voltando... 8h03. Um CLANF, logo depois volta para seu esconderijo, 8h07.
Operador de COC Digital usando notebook robustecido e rádio militar. Notebook robustecido do COC Digital.
Rádio militar do COC Digital. Capitão planejando o ataque em frente ao COC Digital, 9h53.
    No planejamento do ataque ficou clara a importância da operação do COC (Centro de Operações de Combate) Digital portátil, vide maiores detalhes na matéria, seção " Guerra Baseada em Redes (NBW)". O capitão responsável pelo ataque fazia uso frequente do COC Digital para quase todas as suas ações.
    O que eu achei impressionante foi a capacidade de cumprir o dever dos Fuzileiros Navais. É importante ressaltar que todos eles são voluntários e seguem carreira, e se via claramente a motivação durante a a Incursex, que não era maior por a acharem um pequeno exercício (da ordem de uns 500 FN), se comparado às operações Dragão e outros equivalentes (com milhares de FN). Por exemplo, os FN que guarneciam os postos de vigilância do local ficaram mais de 5 horas deitados ou sentados no local, praticamente imóveis, cumprindo a obrigação de ficarem atentos com armas em punho em um certo setor angular. Falei com os mesmos e estavam de bom humor, não ouvi reclamação alguma, foram simpáticos para tirar fotos, conversar sobre diversos assuntos, pediram o site da ALIDE, enfim, mostravam-se extremamente motivados com o ofício de Fuzileiro Naval.
2 fuzileiros com metralhadora Minimi e fuzil M-16 guarnecendo posição, 8h31. Varredura de campo minado, o 1o obstáculo ao ataque, 9h24.
A varredura de campo minado é um processo minucioso e lento. M-113 retorna, 9h49.
Toyata Bandeirantes ainda era preferida por alguns por ter mais torque que o Defender. Ração militar para 24 h, com 3 refeições, começou a dar fome... 11h25.
Café-da-manhã e janta da ração militar. Almoço e acessórios (fogareiro, etc) da ração militar.
      A varredura do 1o campo minado foi interessante de ser observada, vide maiores detalhes na matéria, seção "A Caminho do Alvo".
    Conversando com motoristas de "jeeps" Toyota Bandeirante e Land Rover Defender, a maioria prefere o Defender pelo conforto, modernidade e boa velocidade, porém alguns acham o Bandeirante melhor para fora-de-terreno por ter mais "força" (torque). Ambos são empregados pelos FN, sendo que os Defender foram recebidos entre um e dois anos atrás.
    A ração militar empregada pelos FN está de parabéns ! É bastante farta, com 3 refeições bem generosas, vide maiores detalhes na matéria, seção " Terra Adentro". O desdejum (café-da-manhã) foi a 1a refeição que eu abri e comi as barras de cereais e salsichas por serem mais práticas, e estavam bem gostosas.     
SK-105 recebendo ordens do capitão, 12h13. Defender tentando seguir o SK-105, 12h19.
Defender tentando seguir o SK-105, 12h19. Defender "comendo areia" do SK-105, 12h28.
Defender mostrando sua vocação, descendo uma rampa, 12h39. SK-105 atingido por minas, sendo penalizado em 3 horas, e reparado, 12h43.
Detalhes da torreta do SK-105 : visor térmico e metralhadora .50" do comandante, 12h43. Visor térmico do motorista do SK-105, 12h44.
     Eu estava com o GRUCON e sabia de alguns obstáculos que estavam por vir, um deles era o 2o campo minado... Vide maiores detalhes na matéria, seção " Terra Adentro".
    O SK-105 é pequeno e leve, inclusive em blindagem, se comparado aos MBTs (Main Battle Tanks, com 40 a 70 ton.) atuais, porém tem como pontos fortes : o canhão de 105mm com visão térmica e telêmetro laser, pequeno perfil, velocidade e agilidade. Para uma força anfíbia como a dos Fuzileiros Navais, a presença do SK-105 é um excelente elemente de apoio aproximado de fogo.
Visão frontal do SK-105 camuflado. SK-105 com sua metralhadora axial 7,62mm e da torre de .50" com o comandante, 12h46.
SK-105 tendo suas esteiras e rodas sendo "consertadas", 12h50. Riacho e margens sendo desminados.
SK-105 tendo sua esteira "consertada" pelo motorista, 12h51. SK-105 usando o telêmetro a laser para mirar um alvo a 1.500m, 12h56.
Eu acabando com a camuflagem do SK-105, 13h09. SK-105 com o comandante na torre e motorista, 13h16.
    A penalidade de 3 h de espera foi longa, sol intenso e eu controlando o uso da Canon para que as pilhas não acabassem : já era o 2o par de pilhas novas que eu estava usando só no 1o dia ! Conversei com a tripulação de um dos SK-105, o motorista era jovem e bastante empolgado, contando sobre o treinamento (1 ano para se formar como motorista de SK-105), exercícios diversos, e sugeriu que a ALIDE cobrisse um exercídio em Formosa-GO, onde ocorrem disparos com munição real, e à noite é um espetáculo para tirar fotos e filmar. Combinei com ele que eu ficaria posicionado logo depois da pequena ponte de madeira para pegar o SK-105 entrando e saindo do riacho. Ele contou que no ano passado ou anterior ocorreu essa mesma travessia do riacho, porém com mais água, e ele escolheu de fazê-la com a cabeça para fora... resultado não esperado, entrou água e ele tomou aquele banho, para o SK-105 não é problema, há ralos especiais para esses contra-tempos.
   O Felipe e Padilha conseguiram com o comando da Incursex fazer vôos panorâmicos de helicóptero para tirar fotos aéreas das operações terrestres. Eu brinquei com as tropas, e o pessoal riu bastante, explicando o porquê de não usarem o Esquilo para isso : é que não conseguiu decolar com o Felipe e Padilha embarcados devido ao peso dos dois, eheheheh, e assim foi necessário um Super Puma ;-)
     Para passar o tempo, comi mais barras de cerais, rapadura e balas de caramelo de leite, que eram boas. No mato, ainda mais em operações militares, aprende-se a não ter muita frescura, não há água à vontade e não dá para ficar lavando mão toda hora, o negócio é limpar na roupa, pegar nos alimentos com papel ou sacola, etc. Fiquei esperando às vezes sentado na areia, no terreno de mata, uns 20 m do GRUCON; nada de cobertura GSM de celular (somente de vez em quando) e quando eu ouvia barulho de um CLANF ou M-113 se aproximando (mas cadê, via-se somente a mata!), ops, era melhor ficar ao lado das viaturas para evitar ser atropelado. A tropa normalmente comia a ração militar fria mesmo, para evitar trabalho de acender fogareiro, etc, e tinham macetes, como colocar sobre o capô quente do motor de "jeep", etc.
Helicóptero Super-Puma sobrevoando o exercício com Felipe e Padilha fotogrando e filmando, 15h30. CLANF atravessando o riacho ! 15h43.
SK-105 atravessando o riacho. SK-105 saindo do riacho e minha sombra de fotógrafo "profissional".
SK-105 e CLANF, teve idas e vindas e o ataque final foi deixado para o dia seguinte pois estava ficando tarde. Almirante comandante dos FN ao centro conversando com o capitão responsável pelo ataque, 16h40.
Tropa de um CLANF, já sabendo que iria pernoitar na mata, 16h47. Tropa de um M-113, já sabendo que iria pernoitar na mata, 17h04.
Bala de goma da ração militar, que foi aprovada por mim e pela tropa, 17h12. Motorista do Defender que me levou de volta ao acampamento, 18h13.
    Detalhe : eu tirei na improvisação algumas fotos enquanto atravessava a ponte, porém ao tentar me posicionar parado ao final da ponte, eis uma surpresa : tinha um touro (pena que não o fotografei) que simplesmente me encarou... eu pensei "esse papo de touro perseguir alguém deve ser lenda"... mas nada, o bicho veio mesmo atrás de mim, eu tive que desistir de mais fotos e correr de volta para o início da ponte, o touro foi pela água para tentar me cercar, sempre me encarando (pô, eu estava de camisa azul, seria esse touro daltônico e confundiu com vermelho ???). Fui salvo pelo "jeep" do GRUCON passando pela ponte de madeira e aceitei a carona, visto que não daria para tirar fotos com touro atrás de mim, ehehehe :-)
    Confirmada a notícia de que a tropa pernoitaria na mata, eu não tinha muito o que fazer ali. A volta no Defender foi legal, o motorista tinha pressa em voltar logo, estava escuro, e o Defender foi conduzido meio que radicalmente (para mim, para eles é tranquilo) no terreno fora-de-estrada :-)
    Chegando no alojamento, agradeci ao motorista, inclusive com uma foto dele dirigindo o Defender. Encontrei-me com o Felipe, Padilha e comandantes. Descarreguei as fotos e vídeos da Canon A530 no notebook do Padilha, e vi algumas fotos e vídeos que ele e Felipe fizeram, ao todo foram quase 1.300 fotos só no 1o dia ! Conversamos bastante enquanto acompanhávamos os noticiários na TV do refeitório e "jantávamos". Por coincidência, foi anunciada a compra de caças Sukhoi Su-35 para a Venezuela, o que era de especial valor para o Felipe Salles.
    Fiz questão de experimentar parte da ração militar, no caso o picadinho de carne ao molho e arroz do pacote de almoço. Como parte da experiência de viver como um fuzileiro, então comi tal prato frio mesmo ! A carne ao molho estava ótima, muito boa mesmo, só o arroz frio que não era agradável mas eu o  disfarcei misturando com a carne e molho. Enfim, digo e repito, o almoço da ração militar é melhor que o R.U. de muitas universidades por aí ! No refeitório, à noite tinha pão-doce e suco à vontade, então complementei minha alimentação do dia com uns 3 pães-doce com creme e bastante suco para hidratar.
    Fui à barraca para deixar as coisas, conversei com o pessoal, muita brincadeira e conversas diversas, pessoal muito gente fina. Ofereci um torrone para o pessoal, era meio tarde para comer então deixei na mesa para 5a-feira. Peguei minhas coisas e fui tomar banho, novamente meio solitário pois estava frio. Mas nada que impedisse um bom banho frio para animar ! Voltando à barraca, mais conversas, acessei Internet via N-Gage, mostrei para os oficiais dos FN o N-Gage rodando vídeo, jogos, etc, e alguns gostaram bastante, fazendo perguntas. 
    Novamente foi outra noite muito fria durante a madrugada, mas a barraca dessa vez foi melhor fechada e com isso o vento não entrou muito. Soubemos depois que fez 8 C nessa madrugada de 4a para 5a-feira, eu pensando que a tropa pernoitando na mata devia estar meio que surpresa com esse frio no ES. Mas a vantagem é que o frio espanta mosquitos. Dessa vez era o Padilha que estava roncando, acordei pelo menos uma vez com tal ronco...

O ataque final e o 2o Dia de Operações Terrestres

    Novamente acordamos às 4h45 para nos preparar, Felipe, Padilha e eu fomos para a barraca do GruCon, vimos os preparativos, notícias das tropas de ataque durante à noite (teriam se deslocado à noite para adiantar o ataque), etc.
Mapa com as posições de ataque e defesa, 5h21. Visão maior do mapa com as posições de ataque e defesa, 5h22.
SAE mostrando mapa e eixo de progressão, 6h38. Computadores do GRUCON, 5h49.
Notebook robustecido rodando o COC-Digital, 6h01. Os comandantes achavam que o pessoal da ALIDE não acordaria cedo... 6h04.
    Via estação meteorológica do G-30 Ceará nós soubemos que a madrugada foi realmente fria, chegou a somente 8 C !
Barracas do GruCon e as antenas de comunicação atrás, 6h07. A ALIDE estava na 2a barraca na fileira mais à direita, 6h10.
Barracas dos oficiais à direita e dos praças à esquerda, 6h10. Barracas dos praças com serração ao fundo, 6h14.
Refeitório e banheiros, 6h11. Nascer-do-Sol com caminhão Unimog, 6h25.
    Antes de Padilha, eu e comandantes sairmos nos Defender, dessa vez deu tempo de comer pão-doce no café-da-manhã. Ainda bem, pois meus biscoitos tinham acabado. Fomos então levados até o objetivo do ataque, chegando pouco depois das 7h. A espera foi longa, mas aproveitei para conversar com vários oficiais, colher opiniões, etc. A gozação que faziam comigo era de que eu estava ajudando o inimigo com a minha camisa amarela sendo um ponto de referência naquela colina :-) Vide maiores detalhes na matéria, seção " O ataque final e o 2º dia de Operações Terrestres".
Antena simulada no topo da colina, a ser destruída pelo ataque, 7h24. Único oficial estrangeiro como observador externo, um equatoriano.
Barracas das tropas de defesa, 7h26. Reforço de tropas de defesa, com identificação azul, 8h09.
Tropas de defesa se posicionando, 8h09. Ataque surpresa veio da colina à esquerda, 10h41.
Soldado da defesa e tropas de ataque avançando ao fundo, 10h42. Soldado da defesa e tropas de ataque avançando ao fundo, 10h42.
Tropas de ataque conquistando a colina, 10h48. Equipe de ataque simulando colocação de explosivos para destruir a antena, 10h53.
Detalhes da antena simulada, 10h55. Tropas de ataque vigiando o flanco, 11h04.
    Voltamos então ao acampamento dos FN, a tempo de pegar o almoço. O Felipe e Padilha estavam se preparando para voltar na 5a-feira à tarde para o RJ de carro, logo era hora de copiar as fotos e vídeos da minha Canon A530 para o notebook do Padilha. Como a expectativa era de parte do efetivo voltar já na 5a-feira e outros na 6a-feira, então eu mesmo estava pensando em voltar à Vitória na 5a-feira final da tarde. Mas como o embarque das tropas na praia na 6a-feira de manhã cedo seria ótima oportunidade para fotos, então teve reunião de emergência da ALIDE e sou convencido a ficar mais para cobrir sozinho tal embarque ! Sem problemas, seria um prazer para mim.
      Não havia mais operações a cobrir, então fiquei conversando e descansando após o almoço. No refeitório eu fiquei mais de hora ouvindo as estórias do comando  Prudêncio (que dividia a barraca com a ALIDE), com mil detalhes sobre os testes para ser aprovado como comando (operações especiais) dos FN. Não vou contar tudo, mas os caras realizam tipicamente caminhadas de 30-40 km com 30-40 kg de material nas costas ! Dos 50 e poucos da turma, somente 5 se formaram. No final, eles tinham de sair do RJ, passar por MG e chegar no interior de SP, uns 130 km de distância, com escalada de montanha, pouca comida e água, inimigo atuante, etc. Ficaram 3 dias sem comer e 1-2 dias sem água quando então foram capturados (o que é normal). E depois que eram libertos tinham então que voltar para o RJ com somente poucos Reais no bolso, fingindo serem civis, etc. Esse cap-ten. Prudêncio era super empolgado, tinha livros sobre forças especiais em cima da cama, sabia muito sobre a área dele. Ele era mais especializado em pára-quedismo, mas tinha feito várias especializações nos FN e Exército Brasileiro, tal como se via no seu uniforme.
    O Prudêncio falou com o Padilha que tinha jogado um chinelo nele à noite para ver se parava de roncar... e funcionou ! Putz, mesmo sendo FN operações especiais, treinado para diferentes condições adversas, ele não suportou o ronco do Padilha ! :-)
Mapa após o ataque ter conquistado o alvo, 11h41. Mapa digital do SAE após o ataque, 11h44.
Cap.-Ten., chefe da equipe de programação, 11h42. 4 M-113 e 2 Sk-105 esperando pelo embarque, 15h39.
Devido às condições do mar, não houve embarque, 15h40. Eu fazendo sombra no Sk-105, notar o amarelo discreto... 15h44.
Sk-105 esperando em vão pela lancha de desembarque, 15h51. Praças da lanchonete (paga) do refeitório, 18h51.
    Depois das 15h fomos chamados para cobrir o embarque de alguns veículos blindados em uma lancha de desembarque. Vide a matéria, seção "A Retirada". Toda hora se via o Super Puma decolando e pousando, isso era para completar as horas de vôo necessárias para a qualificação dos pilotos.
    Voltamos então ao acampamento, e foi a vez de Felipe e Padilha se despedirem, indo no carro do Padilha para o RJ. Fiquei descansando um pouco na barraca, olhei email no N-Gage e voltei para o refeitório no final da tarde. Grata surpresa, além de pão e suco tinha um pote de... doce-de-leite para se servir à vontade ! Putz, eu vi um fuzileiro com um prato que pensei antes ser de purê de batata ou algo parecido, mas não, era tudo de doce-de-leite... eu não comi tanto assim, mas comi o bastante. No refeitório, eu comprei alguns biscoitos na lanchonete do refeitório e combinei com os seus praças que tiraria foto deles à noite, pois na hora a luz não estava boa para fotos.

Sistemas Digitais dos FN

    Acabei conhecendo e conseguindo conversar com a cap.-ten., do setor de operações do GruCon, era a única mulher na Incusex 2006, e dormia em Marataízes por falta de estrutura (banheiro, principalmente) no acampamento dos FN. A conversa foi bem interessante, pois ela é líder da equipe de programação dos FN ! Importante dizer que algumas sugestões que eu tinha para fazer, sobre os FN usarem rádio transmitindo mensagens escritas para acelerar a comunicação oral que é lenta com confirmações, e uso maior de informática nos pelotões de combate, já estavam na lista de projetos em andamento pelos FN.
    Vide a matéria, seção "Guerra Baseada em Redes (NCW)".
    Eu espero que tais projetos dêem certo, que os FN comprem mais notebooks robustecidos, tentem outras plataformas mais leves (Palm, etc), etc. Eu citei minha experiência com computação móvel : Psion, smartphones, C/C++, OPL, Smuggers, etc. Falei das vantagens e desvantagens de cada sistema operacional (Palm OS, Symbian, etc). Tanto que inclusive enviei um longo email duas semanas depois para a cap.-ten. sugerindo algumas opções de hardware e sistema operacional : notebooks/tablets PCs, computadores de bolso (Palms, Nokia 770, Psion netPad, etc) e smartphones Symbian (inclusive o Nokia 5500 que é robustecido, sendo um Symbian Series 60).
    Voltei então ao refeitório e tirei a foto dos praças da lanchonete, o pessoal ficou bem motivado por sair na foto. Comprei mais um par de pilhas como reserva para as fotos da manhã seguinte. Voltei à barraca, peguei minhas coisas para tomar banho, dessa vez fui de bermuda pois estava um pouco menos frio, voltei, e fique conversando com os 3 oficiais que restavam na barraca. Alguns voltariam ao RJ às 4h da manhã de 6a-feira...  Então era bom dormir cedo, mas antes conversamos bastante sobre várias coisas : aviões/planadores de contrôle remoto, assuntos militares, motivação da ALIDE durante a Incursex 2006, smartphones, etc. Os oficiais dos FN destacaram que acharam a gente da ALIDE diferente da impressa comum que às vezes acompanha as operações dos FN : nós tínhamos gosto pelo assunto, vibração, conhecimento e motivação. Eu ressaltei que antes de tudo, os membros da ALIDE são entusiastas da área militar.

O embarque e o Meu 3o Dia

    Dessa vez foi possível acordar mais tarde, 5h15... Melhor, sem ninguém roncando para acordar o pessoal da barraca. Acordei pouco antes das 4h com o Prudência arrumando as coisas, com rápido cumprimento de despedida. Às 6h e pouco haveria o embarque. Fui ao que sobrou da barraca do GruCon, um pouco de conversa e então pegamos um "jeep" Defender para nos levar à praia de Itaoca, em frente ao acampamento dos FN. O dia estava com serração, e junto com o nascer-do-Sol resultou em algumas fotos que eu acho ótimas.
Land Rover Defender, 6h16. Nascer-do-Sol com Defenders, 6h19.
M-113 e Sk-105 prontos para embarque, 6h33. SK-105 - canhão ocultando o Sol, 6h35.
Lancha de desembarque chegando na praia, 6h36. Lancha de desembarque tocando na praia, 6h36.Lancha de desembarque chegando na praia, 6h37.
M-113 embarcando de ré, 6h37. M-113 embarcando de ré, 6h37.
Sk-105 embarcando de ré, 6h41. Tropas embarcando, 6h42.
Lancha de desembarque partindo, 6h42. Lancha de desembarque partindo, 6h43.
    A entrada dos CLANF na água foi um espetáculo, eu gostaria de ter parado de fotografar e filmar para apreciar melhor o momento !   
Lancha de desembarque e G-30 Ceará ao fundo, 6h48. Lancha de desembarque manobrando e G-30 Ceará ao fundo, 6h51.
CLANF guindaste e outro navegando, 6h58. CLANF fazendo um belo splash na água, 6h59.
CLANF começando a navegar, 6h59. CLANF correndo para o mar, 7h02.
CLANF fazendo outro belo splash na água, 7h02. 8 CLANF navegando até o G-30 Ceará, 7h03.
CLANFs navegando à toda potência rumo ao G-30, 7h04. Comandantes Renato, Josias, Wilson e Roberto, 7h11.
    Na volta, eu tirei uma merecida foto dos comandantes Renato, Josias, Wilson e Roberto, e a ALIDE deve agradecimentos a eles e todos os demais dos FN pela excelente hospitabilidade. Depois houve um café-da-manhã, onde eu reencontrei com o comandante Roberto, que estava voltando do exercício desde 3a-feira, i.e., estava sem comer comida quente e sem tomar banho desde 2a-feira à noite... mesmo assim estava com bom-humor, bem vestido e motivado.
    No mais, providenciaram um "jeep" às 8h30 para me levar à Marataízes para que eu pegasse o ônibus para Vitória, às 9h.
    Para resumir minha impressão da Incursex 2006 e o contato com os FN, eu vou citar parte de um email que enviei a alguns oficiais dos FN :
"Posso estar repetindo, mas nunca é demais dizer que foi um prazer conhecer os Fuzileiros Navais e acompanhar a Incursex, sendo uma experiência única para mim. Fiquei impressionado com o alto nível do pessoal, em termos de competência, tranquilidade, cordialidade, motivação, etc. Para mim, é a melhor corporação civil ou militar brasileira que eu conheci até agora."
    A troca de motivação entre os membros da ALIDE e dos FN foi muito grande, tanto durante quanto depois da Incursex, com a publicação da matéria no site Base Militar.

Obs.: as fotos e texto aqui presentes, que não são copyright da ALIDE, são então copyright @ 2006 por Roberto Colistete Júnior. O uso dos mesmos implica em mencionar devidamente o autor.
  
Última atualização : 14/08, 28/08, 18/09 e 19/09/2006 (15h).